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Persistência na Oração Pessoal – Construção de um relacionamento sólido

Construção de um relacionamento sólido

SÉRIE: Oração Pessoal
A força que brota da oração diária

"O meu escudo é Deus, ele salva os que têm o coração reto.Deus é um juiz íntegro, um Deus perpetuamente vingador."  (Salmos 7,11-12)

05- Persistência na Oração Pessoal – Construção de um relacionamento sólido

Mais um elemento - Temos lutado para viver com persistência o relacionamento com Deus através da oração pessoal diária? Desistimos quando Deus demora para nos responder? Mantemos a esperança fundamentada na fé (Hb 11, 1)? O que dizer então do esforço por manter o relacionamento com o próximo? Pois qualquer relacionamento genuíno e autêntico necessariamente tem por acompanhante o sofrimento e o esforço, não como fim, mas como consequência de sua importância ao lutar para mantê-lo vivo. Cabe-nos aqui algumas ideias para nos ajudar a refletir sobre isso.

A tecnologia na informação em muito auxiliou e ainda auxilia todas as camadas da sociedade, afinal ninguém pode negar os benefícios e facilidades trazidos através das ferramentas tecnológicas na área da informação que entraram no mercado nos últimos 30 anos, dando as pessoas à capacidade de se comunicarem através de grandes distancia a baixos custos, fato esse que ajudou a moldar toda uma nova geração que nascia. Como toda nova modernidade “implantada”, influenciou o comportamento das pessoas, e nesse contexto, no conceito de comunicação entre um grupo de pessoas se observam efeitos: Se antes era necessário ver ou ao menos falar com as pessoas próximas para se comunicar de forma rápida agora mesmo estando a poucos metros se fala por celular ou computador, também é comum ver a cena de uma família jantando em um restaurante sem ninguém trocar palavra alguma, apenas cada um no universo de seu celular. De fato, cada vez mais as pessoas se afastam umas das outras mesmo que seja para se comunicar com outras, parecendo uma incoerência. O que se observa como consequência é uma fragilidade nos laços entre os relacionamentos.

O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, escreveu uma gama de livros descrevendo relacionamentos humanos como fluídos, como líquidos, como relacionamentos passageiros, em seus livros “Modernidade líquida” e “Amor líquido”, Bauman mostra como as relações da sociedade contemporânea se mostram cada vez mais fluidas e que isso ocorre em todas as áreas da sociedade, se percebe que as pessoas não buscam relacionamentos que durem por longos prazos, pois ao encontrar algo desse molde se percebe que existe um esforço para construí-lo e ainda maior para mantê-lo, e por isso mesmo quão mais líquido e sem raízes seja um relacionamento melhor. Dessa forma só existe o relacionamento enquanto houver algum interesse de ambos os lados (sexo, dinheiro, poder, influencia, etc) e assim que uma das partes finaliza seu interesse rapidamente descarta o relacionamento.

Mas, que tal retornar um passo? Antes de refletir porque os relacionamentos humanos assumiram tal característica, que tal refletir a qualidade do relacionamento do homem para com Deus? É possível por analogia observar essas fragilidades dos relacionamentos humanos observadas por Bauman no relacionamento do homem em relação a Deus? Certamente, infelizmente como exemplo disso é possível encontrar várias propagandas de igrejas que vendem o relacionamento com Deus baseada em trocas por coisas simples que a traça e a ferrugem corroem (conhecido como o evangelho da prosperidade), reduzindo o relacionamento com Deus a uma troca, e depois que a troca foi feita, para que continuar se relacionando com Deus? E esse, é o aspecto que iremos analisar nesse estudo, para que uma real vida de oração com Deus nos leve a se relacionar com Deus porque Ele é Deus, e por consequência nos leve a um relacionamento com o próximo não por trocas, mas por que ele é o “próximo”.

Vejamos o que nos diz São Lucas no capítulo 18 de seu evangelho: 1.Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. 2.Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava pessoa alguma. 3.Na mesma cidade vivia também uma viúva que vinha com freqüência à sua presença para dizer-lhe: Faze-me justiça contra o meu adversário. 4.Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: Eu não temo a Deus nem respeito os homens; 5.todavia, porque esta viúva me importuna, far-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de me molestar. 6.Prosseguiu o Senhor: Ouvis o que diz este juiz injusto? 7.Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? 8.Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?

Percebe-se que Jesus está falando justamente nesse contexto de persistência, de como se alcança as necessidades quando não se desiste. Se o juiz injusto foi vencido pela persistência da mulher, como não seria possível atingir santidade em um relacionamento com Deus que é justo e nos ama?

Ao focar nos versículos 1, 7 e 8 encontramos pistas essenciais: Ao iniciar, Lucas nos informa que a parábola serve para nos ensinar a importância de orar sem desistir, mesmo quando passamos por momentos de deserto espiritual como visto no estudo passado, devemos insistir. E, continua no versículo 7 e 8 confirmando que os perseverantes que persistem em confiar no seu Deus e vivem fiéis em sua oração alcançarão a justiça de seu Deus. Mas o final do versículo 8 traz uma verdade escatológica fundamental: Jesus questiona se encontrará fé quando retornar no fim dos tempos, e de fato esse é o cerne desse estudo: SOMENTE ATRAVÉS DE UMA ORAÇÃO DIÁRIA E PERSISTENTE MANTEREMOS A FÉ ATÉ O ÚLTIMO DIA, ATÉ O ÚLTIMO SUSPIRO DE VIDA!

É a oração diária fiel que nos dá força para lutar todos os dias, é na oração diária que mantemos a esperança no Deus que luta em nosso favor mesmo quando a sociedade ao nosso redor parece ruir, é na oração que manteremos um relacionamento verdadeiro com a pessoa de Jesus Cristo, é na oração que esse relacionamento com Jesus cresce e se torna íntimo, é na oração diária que ganhamos discernimento e perspectiva correta nos relacionamentos que temos com os “próximos”, gerando um equilíbrio cristão nos mesmos.

A questão aqui é buscar evitar um futuro no qual as necessárias agilidades solicitadas pelas constantes evoluções dos meios de comunicação facilitem ainda mais relacionamentos com comportamentos maquiavélicos e mercenários. Sempre deve ser considerado o aspecto humano, e por ser um aspecto humano, deve respeitar uma das mais básicas necessidades de sua essência, uma das necessidades presentes desde o início da humanidade na qual a sobrevivência da espécie humana sempre esteve atrelada, a necessidade de segurança, de sentir-se seguro não a todo o momento e em todo lugar, mas ter momentos onde se possa vive-la. E uma segurança não em dinheiro apenas, mas em relacionamentos que se possam criar raízes e seja possível construir algo. E na atual sociedade contemporânea ao início dos relacionamentos humanos fluidos, cada vez serão mais escassos os pontos de enraizamento encontrados mundo afora, mas os Cristãos que sabem onde repousa sua esperança e sua segurança devem gritar para o mundo que só há uma maneira de se viver seguro, só existe segurança no relacionamento de amor com Jesus Cristo, que os leva a promover relacionamentos com outros baseados nesse mesmo amor e não em interesses momentâneos. Pois a segurança do Cristão genuíno não está no presidente atual, no salário do mês corrente ou no imóvel dos sonhos, mas sim no nome do Senhor Jesus, mesmo que isso custe sofrimentos, ou até a vida, pois a segurança final está na vida eterna.

Viva sua fé de forma persistente e promova o relacionamento com Jesus ao próximo, ore todos os dias e mostre ao mundo em quem repousa sua esperança. Lute, não desista, persista e ORE!

 

Ricardo Erzinger

Consagrado da Comunidade Vale de Saron

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