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Diferenças entre oração pessoal e oração comunitária

Diferenças entre oração pessoal e oração comunitária

SÉRIE: Oração Pessoal
A força que brota da oração diária

 

“O Senhor ensina a quem se quer prestar a ser ensinado por Ele na oração”

 (Caminho de perfeição – Santa Teresa de Jesus (Santa Teresa D´ávila) – Cap 6,3.)

 

03 - Oração pessoal: Diferenças entre oração comunitária e oração pessoal.

Além do óbvio - que oração comunitária é feita por mais de uma pessoa ao mesmo tempo no mesmo lugar e oração pessoal é feita por uma pessoa somente – cabe-nos outras considerações.

De fato, quando oramos juntos em comunidade (seja na igreja, em casa ou qualquer oração em grupo) e gozamos da promessa do Senhor em estarmos reunidos com reta intenção em seu nome (Mt 18:20), temos a certeza de Sua presença e sentimos em nossos corações os frutos dela; é maravilhoso viver a alegria de saber que “Embora muitos, somos um só corpo em Cristo” (Rm 12:5). Viver essa experiência coletiva é maravilhoso principalmente ao considerarmos o fato de que Jesus não enxerga multidão, mas a cada um; mesmo como membros de um grande corpo, Deus nos ama individualmente, cada um importa, cada um faz a diferença no corpo!

A vida comunitária é essencial e nos faz perceber que outros passam por dificuldades assim como nós, perceber que se um de nós cai o irmão ajuda-nos a levantar, perceber que para atravessar grandes desertos precisamos uns dos outros.

É importante ter a clareza de que somos todos, em nosso batismo, filhos de Deus. Não é o que faço nem o nome do meu serviço que me define como filho de Deus, mas é o meu ser filho de Deus que deve definir o que faço e como devo viver o meu serviço. Isso é extremamente importante para esclarecer que dentro da Igreja, não existem filhos mais ou menos importantes, e sim apenas filhos, todos com o mesmo valor infinito por receberem o sacrifício de Cristo na cruz. Existem sim serviços que em determinados momentos possuem grande importância e os atos dos responsáveis por tais serviços geram reflexo em um número muito grande de pessoas. - Mas novamente é necessário declarar: Não é o serviço em si que concede ou retira valor a uma pessoa, mas sim o como se vive aquele serviço ao lutar para viver como um verdadeiro filho de Deus. E quando os filhos oram juntos, vivem como uma igreja, vivem como um corpo, a oração retira os conceitos humanos de mais ou menos o importantes, pois o Espírito de Deus que habita na oração concede o discernimento e a real visão espiritual de uns para com os outros. Por isso a comunidade que ora unida permanece unida, a família que ora unida permanece unida.

Assim, na vida comunitária, facilmente enxergamos o relacionamento do corpo (comunidade) com o Senhor Deus como o de um Pai com seus muitos filhos, todos amados de forma infinita e individual, e ao mesmo tempo de forma igual, visto que o Pai tem amor suficiente para todos os seus filhos.

Porém, tão importante quanto a oração comunitária é a oração pessoal, uma não substitui a outra, precisamos enxergar e viver a experiência de amor esponsal com nosso Deus e aceitar ser a noiva de Jesus, independente do fato de ser homem ou mulher, pois aqui tratamos do vínculo de Jesus com a alma: a nossa alma é a noiva e a esposa de Jesus. Somente assim entramos na dimensão da característica esponsal desse amor, na qual temos um relacionamento com Deus e não há espaço para outro. É, em essência, um relacionamento a dois, sem exceções, um amor indivisível. É vivencia em excelência desse amor esponsal que gera por consequência, por transbordamento o real amor ao próximo - "Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo" (Jo 15:12).
A oração pessoal individual é em excelência terreno fértil para abertura a essa experiência do amor esponsal, é preciso ter um momento de oração pessoal para compreender e viver isso. A intimidade em um relacionamento se constrói muito mais nos momentos a dois que nas experiências coletivas.

Temos, então, as duas pernas de um corpo: a oração comunitária - uma perna - e a oração pessoal - a outra. É preciso viver com excelência tanto uma como a outra para não mancar na vida espiritual; é preciso esforço para viver bem cada passo dado em cada perna e, por consequência, andar para frente na vida espiritual.

É importante saber que existe um esforço particular na oração pessoal, na oração comunitária com reta intenção, é um fato a presença de Deus, já a oração pessoal deve sempre vir acompanhada da súplica à presença de Deus. Como exemplo dessa súplica cabe a oração da liturgia das horas indicada para iniciar a oração quando rezada a sós:

“Abri, Senhor, os meus lábios para bendizer o vosso santo nome. Purificai o meu coração de todos os pensamentos vãos, desordenados e estranhos. Iluminai o meu entendimento e inflamai minha vontade para que possa rezar digna, atenta e devotamente este Ofício, e mereça ser atendido na presença da vossa divina Majestade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.” Liturgia das Horas - folha de introdução.

Percebemos que a oração pessoal contém em si o desafio de convidar o Senhor para participar do diálogo e não simplesmente pressupor que Deus tem a obrigação de comparecer na hora que bem entendermos. Tal preocupação - do comparecimento ou não de Deus - não deve ocupar a mente daqueles que desejam iniciar uma vida mais ordenada na oração pessoal. Essa preocupação deve ser substituída pelo entendimento da importância do elemento súplica estar sempre presente; algo como a oração acima ou a oração do Espírito Santo bem meditada, ou ainda, uma súplica inicial espontânea, já é suficiente para se colocar diante de Deus como filho sedento de seu amor.

O ponto aqui é enxergar que a vida de oração pessoal ordenada contém em si suas recompensas particulares e seus desafios. O desafio da oração se mantém sempre, tanto para aqueles que estão começando quanto para aqueles experientes na vida de oração pessoal que já estão muito próximos à santidade de Deus: o fato é que o desafio é o mesmo, por vezes ouvimos como referencia a esse desafio para bem realizar uma boa oração como um “sacrifício de louvor”.

Assim como é fato existir um desafio para manter uma vida de oração fiel, também é um fato o quanto se cresce ao lutar para superar o desafio sempre presente, o crescimento acontece justamente quando não desistimos e continuamos a perseverar em uma vida de oração. Por isso, ORE! E se surpreenda com o resultado, não algo que acontece fora e sim dentro de você, então ORE!

 

Ricardo Erzinger

Consagrado da Comunidade Vale de Saron

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