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Oração diária – Alicerce e muralha para alma contra o maligno

Alicerce e muralha para alma contra o maligno

SÉRIE: Oração Pessoal
A força que brota da oração diária

“Em todas as nossas aflições, tribulações e dificuldades, não existe para nós outro apoio maior e mais seguro do que a oração e a esperança de que o Senhor proverá a tudo pelos meios que lhe aprouver.” (A subida ao monte Carmelo – São João da Cruz - livro II, Cap XXI).

04 - Oração diária – Alicerce e muralha para alma contra o maligno.

Para continuar, precisamos entender que oração pessoal é aquela feita com frequência e disciplina. É necessário compreender que a prática da oração pessoal não trata um momento específico aleatório ou uma doação do tempo que sobrou no dia, mas sim de um hábito, uma rotina, um encontro e um compromisso.

Infelizmente, nos é possível viver de forma errada ou até mesmo disfarçada tanto a oração pessoal como a oração comunitária. Essa meditação formativa trata somente dos pontos para viver com excelência a oração pessoal, os detalhes da oração comunitária serão tratados em outro momento.

 

Como não viver a vida de oração de forma errada ou disfarçada?

É necessário enxergar se tenho lutado para viver os elementos necessários para a oração: frequência, disciplina, hábito, rotina, encontro, compromisso e, por muitas vezes, sacrifício. Pois a autêntica vida de oração possui em sua absoluta maioria momentos de fé sem experiências sentimentais ou místicas, logo trata-se de uma vontade intelectual pelo que se acredita, que pode até, talvez, gerar experiencias sentimentais e místicas. Mas nunca uma vida de oração deve acontecer por uma vontade sentimental baseada em choro e calafrio para buscar acreditar em algo, pois isso não dura. Quando ocorre essa inversão, facilmente se corre o risco de buscar um momento de intimidade com Deus apenas para tentar buscar uma consolação com algum choro, calafrio ou qualquer sentimento desse tipo, e isso sim pode se tornar em uma vida de oração errada ou disfarçada. Portanto, experiencias místicas ou sentimentais devem aparecer apenas como consequência de uma vida de oração autentica e nunca como um fim.

A vida de oração é uma aventura maravilhosa, na qual encontramos nosso esposo querido, que frequentemente vem ao nosso encontro com flores na mão para conquistar nosso coração mais uma vez. É momento de viver a restauração e sentir a profundidade do poder de amor de nosso Deus; é momento de cura, de restauração, de milagres, de súplica, de perdão, de intercessão, de ação de graças, de agradecimentos, de louvor e de uma infinidade de outros elementos e experiências que o Espírito Santo concede àqueles que possuem a coragem de perseverar sem desistir.

Aqui entra uma palavra-chave: PERSEVERANÇA, pois, por muitas vezes, a vida de oração pessoal é maçante e pesarosa, é difícil e sacrificante.

O Senhor Jesus nos diz: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26:41). A palavra “orai”, exposta no versículo, lembra que devemos orar e estar sempre atentos, pois o tentador (o demônio) está sempre tentando nos fazer cair e desistir, pois ele sabe que através do sangue de Cristo nosso espírito está pronto, mas que a nossa carne ainda é fraca e podemos sim cair, e até perder a salvação recebida pela cruz de Cristo se não vigiarmos e orarmos.

Cabe aqui entender que a vida espiritual tem como característica base a vivência com o Senhor em dois momentos:

O primeiro momento é o Oásis - nele enxergamos claramente e bebemos do espírito, enxergamos e sentimos o agir do Senhor de forma quase concreta. Parece que não entendemos como os que estão ao nosso redor não percebem, de tão perceptível que o agir do Senhor nos parece ser. Nesses momentos de Oásis, a nossa fé é fortalecida e temos o desejo de abraçar todos os projetos que o Senhor nos mostrar. Aqui, orar é um prazer, pois é momento de abraços, de descanso e de confirmação. Nesse momento é mais fácil perseverar e a oração contém mais elementos prazerosos que dolorosos.

O segundo momento é o Deserto - não conseguimos enxergar nem sentir o Senhor, por vezes é a noite escura de São João da Cruz. Nesses momentos somos provados, forjados e vivemos momentos de angústia e solidão, de aridez e tristeza.

Temos então o ponto alto dessa meditação: DEVEMOS PERSEVERAR NA ORAÇÃO PESSOAL MESMO NO DESERTO ESPIRITUAL, ALIÁS, PRINCIPALMENTE NO DESERTO ESPIRITUAL!

Aqui entra perfeitamente a palavra de Eclesiástico 2: 1-6:

  “ 1. Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação;

  1. humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade,
  2. sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça.
  3. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência.
  4. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação.
  5. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele. Conserva o temor dele até na velhice.”

Essa deve ser a palavra central de nossa meditação (Perseverança), entender que a oração pessoal só é frutuosa e verdadeira quando perseveramos tanto nos momentos de Oásis quanto nos momentos de Deserto; entender que é através do sacrifício e da dificuldade em se manter fiel na oração pessoal - mesmo nos momentos difíceis, mesmo quando a preguiça é muito forte,  mesmo quando estamos cansados; mesmo quando temos a desculpa quase perfeita para não orar, mesmo quando estamos tristes e abatidos - é que se encontra esse crescimento espiritual tão grande e forte para minha vida e das pessoas que vivem ao meu redor, pois na minha fidelidade influencio a muitos ao meu redor a ficarem mais próximos de Deus.

São João da Cruz nos ensina na frase: "Mesmo carregado de grandes e molestas tentações, o homem pode ir a Deus, desde que sua razão e vontade não consintam nelas."

Logo, é crucial a fidelidade com disciplina na oração pessoal em todos os momentos, como rotina e compromisso, não somente em uma situação ou outra, pois é aí que o Senhor tem espaço para crescer e nos fazer entender as coisas do reino dele; é aí que temos a oportunidade de receber o conhecimento das coisas do alto.

 

A construção de uma muralha

O resultado da oração perseverante é a construção de uma muralha, que é levantada com paciência: um tijolo é colocado na muralha por dia, um tijolo por oração. É uma muralha linda que nos protege contra as ciladas do inimigo, e nos eleva até mais perto do nosso Senhor, mas como todo o resto na vida espiritual, ela só pode ser vista e sua imponência só pode ser enxergada quando estamos em momentos de Oásis; nos momentos de Deserto, de noites escuras, a muralha não é visível, entretanto, são justamente os tijolos colocados na muralha nos momentos de Deserto, ou noite escura, que são os mais fortes e resistentes.

Sendo assim, o ponto é continuar construindo, mesmo sem enxergar, pois os tijolos assentados pela fé são muito fortes e a alegria da alma quando passa o momento de Deserto e se volta a enxergar a sua muralha - que agora voltou a ser visível, e ficou muito mais imponente com os tijolos da fé - é indescritível.

A analogia serve para explicar que quando continuamos perseverando mesmo nas provações, o nosso coração fica tão próximo a Deus que nos tornamos cada vez mais imagem e semelhança dele, e a santidade da perseverança se torna caminho de céu não somente para o fiel, mas para muitos próximos a ele.

É importante observar que o que define nossa escolha como cristãos não são as escolhas que fazemos nos momentos de Oásis, mas sim as feitas nos momentos de Deserto; é o Deserto e não o Oásis que nos faz amadurecer, crescer e nos molda ao plano de Deus, pois somos tentados na maioria das vezes justamente quando estamos no Deserto. É aí que ficamos firmes diante da tentação do maligno, e podemos citar com firmeza a frase de São João da Cruz: “O Demônio teme a alma unida a Deus como a próprio Deus.”

A intimidade com Deus se conquista com o convívio diário! Conquiste isso e todo o resto parecerá sem sentido diante da amizade íntima com o Deus do Universo. Por isso, não desista e ORE!

 

Ricardo Erzinger

Consagrado da Comunidade Vale de Saron

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