home Destaques, Formação “Se Deus parasse o trânsito…” (A Copa que para o mundo!)

“Se Deus parasse o trânsito…” (A Copa que para o mundo!)

“Se Deus parasse o trânsito...” (A Copa que para o mundo!)

Sim, eu gosto muito da Copa do Mundo e todos estamos nesse climão emocionante do esporte mais popular do planeta!! A qualidade técnica das equipes não está tão impressionante, mas a disputa é acirrada e testa nossa saúde cardíaca. No entanto, hoje não vim dar uma de comentarista esportivo, mas expressar uma visão que tive. Uma reflexão que julgo ser interessante nesse momento histórico: o da Copa do Mundo - Rússia 2018.

“O Rock n' Roll para o trânsito!”

Uns dias atrás recordei de uma cena do DVD “Rattle and Hum” do U2. Eu sei que foi extremamente vergonhoso e escárnio para a fé cristã o apoio aberto que eles deram à revogação da emenda que proibia o aborto na Irlanda (e que foi, de fato, revogada). Foi decepcionante pra mim e tantos católicos que admiram o trabalho deles. Mas citarei algo que não envolve a fé de Bono e os demais integrantes. Trata-se de um fato isolado que lembrei e servirá para seguirmos com uma ideia sobre como a Copa do Mundo afeta a sociedade.

Neste DVD, há uma cena interessante no meio da música “All Along The Watchtower”, composição do Bob Dylan: Bono Vox sobe em uma escultura e escreve com um spray: “Rock N' Roll Stops The Traffic”. O Rock n' Roll para o trânsito!

RockNRollStopsTheTraffic

“Rock N' Roll Stops the Traffic!” - imagem disponível neste tweet

Ano: 1987. Data: 11 de novembro. Local: Justin Herman Plaza em San Francisco, CA. Uma banda no auge do sucesso faz um show gratuito que havia sido anunciado há poucas horas numa rádio. Bono escreveu o que era nítido nas ruas: carros, bicicletas ou pessoas a pé que passavam e viam o show acontecendo simplesmente paravam o que faziam pra aproveitar aquele entretenimento. A música parava o trânsito e reunia pessoas que curtiam uma apresentação gratuita.

A Copa do Mundo também para o trânsito

Era dia 30 de junho e eu chegava no supermercado às 11:10. Uma TV ao lado do último caixa transmitia a Copa, e o jogo era França X Argentina. Já havia um alvoroço porque, de algum modo, todo brasileiro tem alguma vontade de torcer contra a Argentina. Mas quando foi marcado Pênalti pra França, meu Deus... Aquele mercado parou. P-a-r-o-u mesmo!!

-Vem logo, bora trabalhar né?! - dizia a aparente supervisora, com um risinho maroto no rosto.
-Peraí, só espera o pênalti tá? - respondia o gurizão, que ria diante da chance de Griezmann fazer o gol, o que veio a acontecer às 11:13!

Você pode imaginar o que foi daquele mercado no dia 2 de julho: Brasil X México. Ainda bem que só saiu gol no segundo tempo, senão acho que eu nem seria atendido no caixa... A TV foi parar na entrada do mercado. N-a e-n-t-r-a-d-a. Todos os atendentes de caixa num aglomerado diante do painel de cristal líquido e o volume tinindo. Eu precisei passar à frente da Copa do Mundo e foi quase constrangedor interromper a visão deles por exatos 1500 milissegundos...

E se Deus parasse o trânsito?

É inevitável pensar. Aquele show de 1987 era totalmente acessível para as pessoas que quisessem aproveitar. Pra se emocionar com os jogos da Copa, o controle da TV está facilmente à disposição pra tanta gente, e até mesmo pode-se aproveitar os jogos em lugares públicos como o supermercado onde fui: é só parar e assistir... E gente, já pararam pra pensar que Deus é totalmente acessível também... ??

Eu fico a imaginar o que aconteceria com esta sociedade estragada se deixássemos Deus parar o nosso trânsito. Se Ele pudesse atravessar o nosso cotidiano seco e morto. Vazio de valores e partilhas verdadeiras. Seria um sonho se Deus pudesse cortar o meu dia a dia com vida e sinceridade, com conversão e amor autêntico pelo próximo. Se a vida sobrenatural de Deus pudesse se misturar à vida normal das pessoas, talvez não veríamos um povo tão triste e abalado pelas notícias horríveis que surgem a cada 20 minutos na mídia, ou por qualquer coisa - hoje encontramos pessoas fragilizadas, que são derrubadas por qualquer ventinho gelado, não é?

Eu entraria no mercado, e as pessoas quereriam falar sobre suas lutas, desde as vitórias até as derrotas - porque não? Porque fingimos que somos fortes, quando no interior estamos sofrendo com lutas ferrenhas e pior: a sós? Eu passaria pelo mesmo corredor onde o Pênalti foi assunto em comum e encontraria uma pessoa que conseguiu uma cura porque se abriu para abraçar um ente querido, sem falsidades ou medo. Eu ouviria falar de uma mãe que beijou a filha pelo simples fato de querer expressar seu amor puro, sem interesses, e ela me diria o quanto o ato simples acarretou em vida e desejo de Deus. Eu, que sou homem, poderia olhar nos olhos das mulheres sem o medo de ser encarado como um potencial agressor, um possível pervertido - teríamos mais pessoas com as quais aprender a cultivar a castidade. Saberíamos que a santidade seria muito mais possível de ser regada no normal dos dias, e não apenas em nossos encontros em grupos de oração, convívio em comunidade etc.

Eu quero ser canal de Deus para um mundo doente e te convido a estar aberto(a) a essa difícil missão. Deus, que é vida e santidade, precisa ter mais, muito mais autorização para ser assunto no cotidiano. Para ser oportunidade de busca das virtudes e ânimo com a esperança que só Ele pode trazer e ser.

Na comunidade Vale de Saron temos como um dos baluartes São Francisco de Assis. Reze conosco esta oração que ele nos deixou. Estejamos abertos a agir, a ser instrumento, para que de nossa fraqueza e humilhante condição possam brotar os sinais da vida de Deus, de Sua presença que quer sarar o mundo. Busquemos a coragem de fazer o que os nossos irmãos não tem mais coragem ou força de fazer.

Oração de São Francisco

Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

 

Rodrigo Duarte

Consagrado da Comunidade Vale de Saron

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